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Archive pour octobre 2009

O Cidadão do Mundo

Vendredi 2 octobre 2009

Um retorno à cidade e se vê um homem andando no meio da multidão. Parece preocupado e alheio às pessoas. Seu andar é um pouco indeciso. Traz uma pequena mochila às costas. Pára, de vez em quando, para observar as pessoas, as construções antigas, o mundo ao redor. Observa uma porta bem trabalhada de uma igreja barroca. Meio indeciso, atravessa a multdão de pedintes que costuma ficar à porta da igreja à espera do óbulo dos fieis e do pão dos frades e entra nesta igreja. É um templo ornado com muitos retratos a óleo de santos, beatos e veneráveis da Ordem do Capuchinhos, que depois soube ser aqueles quadros obra do pintor baiano Teófilo de Jesus, além vários jazigos de personalidades da Bahia.  Tempo em que se  enterravam os fieis na própria igreja. Uma missa está sendo rezada. Um velho padre levanta a hóstia. Ele observa um altar lateral. Uma figura de Santo Antonio segura o Menino Jesus. Uma velha faz uma genuflexão. Ele se dirige ao centro da nave  e se senta no banco perto do altar-mór, onde o padre diz a missa. Põe a mochila no colo e fica por uns minutos com a cabeça baixa como a meditar. Os fieis se lavantam para a eucaristia. Formam fila para comunhão. Uma mulher se aproxima dele. Ela é alta, magra, elegante e bonita. Parece ter trinta e quatro, trinta e cinco anos. Veste um vestido de tom escuro e sóbrio. Senta ao seu lado, como por acaso, como se não o conhecesse. Permanece em silêncio por uns minutos. O padre os observa de soslaio e demonstra uma certa preocupação. Ninguém, a não ser o padre, percebe qualquer coisa entre eles. Olham-se como não se conhecessem. A mulher agora parece um pouco intranquila. Não dizem, porém, qualquer palavra. Ele se lavanta e vai em direção à sacristia. Os fieis, puxados pelo padre entoam um hino sacro, que é cantado ao som de um violão indolente e triste.  Estamos na sacristia. Nosso homem admira o piso. Um taboado secular onde se vê uma tábua de mais de um metro de largura compondo o piso. A mulher entra na sacristia.

- Você voltou pra quê? Pra me fazer sofrer? Diz.

- Não, voce sabe que não é isto. Voltei porque preciso voltar. Voltei porque cansei. É só. 

- Você podia muito bem descansar em outro lugar. Você voltou para quebrar a paz que eu construi.

- Não seja dramática. A vida  de hoje não cabe mais dramas.

- Para você é facil dizer isto, porque passou a vida se divertindo, mas eu…

O Cidadão do Mundo

Jeudi 1 octobre 2009

Depois de um olhar panorâmico sobre a cidade, vemos se aproximar pouco a pouco o  prédio onde se encontra nosso homem. É um prédio redondo, inteiramente redondo,  destacando-se dos demais, simples arranha-céus em formato de caixa de fosforo, monótonos e enfadonhos. Ele está olhando para o mar. Vemos parte de seu corpo. Só da cintura para cima. De perfil, seu nariz aquilino faz angulo com a janela em que se encontra. Ouve-se um leve xuá-xuá das ondas batendo no sopé do prédio, cujas colunas foram construídas adredemente para surportar o embate das águas. Na praia, algumas pessoas vêm chegando. Um pouco mais além, algumas embarcações pairam sobre o mar, presas à suas ancoras, balançando-se ao sabor das ondas. Um marinheiro sai do interior de um barco com uma frigideira na mão como se estivesse a procurar algo. Cá, nosso homem permanece impassível diante de toda aquela cena. Ouve-se vozes diversas e uma suave toada nordestina invade o ambiente. Voltando-se, nosso homem  vê entrar duas jovens em trajes de praia.

- Larga esta preguiça e vem pra praia com a gente, diz uma que parece mais íntima.

- A praia está uma delicia, você vai gostar, diz a outra um pouco mais acanhada.

- Não sei se deveria. Na verdade, eu prefiro ver o mar daqui de cima. É menos perigoso.

- Não há perigo de nenhum tsunami, e se houvese, nem aqui você estaria a salvo.

- De tanto andar no mundo, enjoei de praia. É tudo igual. O mar sempre salgado. A areia sempre chata. O que salva são as gatas.

- Você e seu machismo. Os homens…